Uma operação pode utilizar agentes de IA em diferentes processos, como atendimento, vendas, suporte, financeiro, onboarding e pós-venda.

Conforme novas necessidades entram na estratégia, também surge uma decisão importante: concentrar diferentes responsabilidades em um único agente ou estruturar agentes especializados para determinadas funções?

Este artigo apresenta como diferentes agentes podem participar de uma mesma operação e explica o conceito de A2A, relacionado à comunicação e colaboração entre agentes de IA.

1. O que significa ter agentes de IA trabalhando juntos

Uma operação com diferentes agentes pode distribuir responsabilidades de acordo com o tipo de demanda, os objetivos definidos e as informações necessárias para cada processo.

Um exemplo simples seria utilizar um agente para identificar a necessidade inicial do contato. Quando a intenção estiver relacionada a uma compra, o processo pode direcionar a conversa para um agente configurado para apoiar a etapa comercial. Em uma solicitação de suporte, outro agente especializado pode participar do atendimento.

Essa estrutura permite organizar agentes com diferentes responsabilidades dentro de uma mesma jornada.

É nesse contexto que aparece o A2A, sigla para Agent2Agent, um protocolo voltado à comunicação e colaboração entre agentes de IA. Com uma arquitetura compatível, um agente pode interagir com outro para dar continuidade a uma tarefa que envolve diferentes especialidades.

2. Por que dividir funções entre diferentes agentes

A divisão de responsabilidades pode ser considerada quando diferentes processos exigem objetivos, informações, regras ou níveis de acesso específicos.

Ao estruturar agentes especializados, alguns pontos precisam ser definidos:

  • O objetivo de cada agente.
  • Quais informações cada um pode utilizar.
  • Quais tarefas estão sob sua responsabilidade.
  • Quando outro agente ou uma pessoa deve participar da conversa.
  • Quais regras precisam ser seguidas em cada etapa.

Um agente comercial, por exemplo, pode ser configurado com informações sobre produtos, condições comerciais e critérios de qualificação. Já um agente de suporte pode utilizar uma base de conhecimento voltada para dúvidas recorrentes de clientes ativos.

A decisão de separar essas funções depende das necessidades e da estrutura de cada operação.

3. Exemplos de agentes especializados dentro de uma empresa

Existem diferentes funções que podem ser estruturadas com agentes de IA, dependendo das regras, integrações e informações disponibilizadas pela empresa:

  • Agente de atendimento — recebe o primeiro contato, identifica a intenção a partir da conversa e apoia o direcionamento da demanda.
  • Agente comercial — apoia a qualificação, responde dúvidas sobre a oferta e coleta informações relevantes para o processo comercial.
  • Agente de suporte — utiliza uma base de conhecimento para apoiar o atendimento de dúvidas recorrentes.
  • Agente financeiro — pode apoiar demandas previamente definidas relacionadas a pagamentos, documentos ou orientações administrativas.
  • Agente de onboarding — auxilia novos clientes com informações e orientações previstas para os primeiros passos após a contratação.
  • Agente de pós-venda — pode apoiar acompanhamentos e dúvidas previstas para etapas posteriores à compra.

Essas funções são exemplos de configuração. A quantidade e o papel dos agentes devem acompanhar os processos e as necessidades de cada empresa.

4. Como diferentes agentes podem participar da mesma jornada

Uma jornada pode envolver diferentes agentes conforme as necessidades identificadas durante o atendimento.

Um exemplo:

Novo contato → Agente de atendimento → Identificação da necessidade → Agente comercial → Equipe de vendas

Outro caminho possível:

Cliente → Agente de atendimento → Identificação de uma dúvida → Agente de suporte → Atendimento humano, se necessário

A estrutura deve ser definida de acordo com as responsabilidades previstas para cada agente e com os critérios estabelecidos para participação da equipe humana.

Dessa forma, a quantidade de agentes acompanha a organização dos processos e as necessidades da operação.

5. Quando considerar agentes especializados

A quantidade de agentes depende da estrutura e das necessidades de cada operação. Em processos mais simples, um único agente pode ser configurado para apoiar diferentes atividades.

Conforme a operação envolve mais variáveis, a empresa pode avaliar a divisão de responsabilidades. Alguns fatores que ajudam nessa decisão são:

  • Quantidade de áreas envolvidas.
  • Diferenças entre as regras de cada processo.
  • Volume e tipo de informações necessárias.
  • Diferentes tipos de atendimento.
  • Integrações utilizadas.
  • Níveis de acesso e permissões.
  • Necessidade de bases de conhecimento distintas.

A especialização pode fazer sentido quando essas diferenças justificam configurações próprias para determinadas funções. Em outros cenários, manter um agente com responsabilidades mais amplas pode atender à necessidade da operação.

6. Onde entra o A2A nessa evolução

O A2A, sigla para Agent2Agent Protocol, foi apresentado pelo Google em 2025 como um protocolo aberto para permitir que agentes de IA se comuniquem e colaborem entre diferentes sistemas e plataformas. 

O protocolo prevê mecanismos para que agentes possam descobrir capacidades, trocar informações e coordenar determinadas tarefas dentro de uma arquitetura compatível.

Para uma empresa, o conceito pode ser aplicado em cenários nos quais diferentes agentes participam de um mesmo processo. Um agente pode identificar uma demanda e, conforme a arquitetura implementada, colaborar com outro agente especializado para dar continuidade à tarefa.

A forma como essa comunicação acontece depende das tecnologias, integrações e configurações utilizadas na operação.

7. Qual é a diferença entre A2A e MCP?

A2A e MCP podem participar de arquiteturas com agentes de IA, mas possuem papéis diferentes:

  • MCP, ou Model Context Protocol: fornece uma forma padronizada para aplicações de IA se conectarem a ferramentas, dados e outros recursos externos. 
  • A2A, ou Agent2Agent Protocol: é voltado à comunicação e colaboração entre diferentes agentes de IA. 

Em uma mesma operação, um agente pode utilizar recursos disponibilizados por meio de MCP e também participar de uma arquitetura na qual diferentes agentes colaboram utilizando A2A.

A presença de um protocolo não implica a necessidade do outro. A arquitetura depende das ferramentas, integrações e processos envolvidos.

8. Onde uma operação com diferentes agentes pode fazer sentido

Alguns cenários podem levar uma empresa a avaliar a divisão de responsabilidades entre diferentes agentes:

  • Atendimento e vendas funcionando no mesmo canal.
  • Diferentes áreas ou níveis de suporte.
  • Processos distintos de pré-venda, venda e pós-venda.
  • Grande variedade de produtos ou serviços com informações específicas.
  • Etapas que exigem regras, bases de conhecimento ou níveis de acesso diferentes.

Esses fatores podem ajudar na avaliação da arquitetura mais adequada. A decisão deve considerar a complexidade do processo e o papel que cada agente terá dentro da operação.

9. Como começar a estruturar diferentes agentes

Para avaliar se diferentes agentes fazem sentido para a operação, alguns passos podem ajudar:

  1. Mapear os principais tipos de demanda recebidos pela operação.
  2. Identificar quais tarefas podem receber apoio de agentes de IA.
  3. Avaliar quais atividades possuem objetivos, regras ou informações significativamente diferentes.
  4. Definir quais informações e recursos cada agente precisa acessar.
  5. Estabelecer critérios para a participação de outros agentes e para o encaminhamento ao atendimento humano.
  6. Testar a estrutura em processos definidos antes de ampliar sua aplicação.
  7. Acompanhar as conversas e revisar as configurações conforme as necessidades da operação.

A estrutura pode evoluir gradualmente conforme novos processos e necessidades forem identificados.

Conclusão

Diferentes agentes de IA podem participar de uma mesma operação quando os processos exigem objetivos, informações, regras ou especialidades distintas.

A quantidade de agentes deve ser definida a partir da estrutura de cada empresa. Em alguns cenários, um único agente pode atender às necessidades previstas. Em outros, separar responsabilidades pode facilitar a configuração e a organização dos processos.

Protocolos como o A2A ampliam as possibilidades de colaboração entre agentes dentro de arquiteturas compatíveis. Para as empresas, a decisão começa pelo mapeamento dos processos, das responsabilidades e das situações em que a participação humana continua necessária.

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